
Eu tinha dezessete anos quando aprendi a engolir pela primeira vez, desde então nunca mais consegui parar e se tornou mais fácil a cada vez que o desejo de chorar se repetia. Eu tinha vinte quando aprendi a fazer de conta que a dor das palavras que eu ouvia não existia. Hoje eu vivo sentindo que não tenho muitos bens e a minha vida como se minha vida fosse um aluguel de despejo a qualquer momento. Os anos guardaram palavras amargas dentro de mim, que eu engulo, porque alguém assim me disse um dia, e isso me destrói por dentro.
Nada mais.
Nada mais.