
No meu terceiro mês de novo colégio ouviu-se o boato de que eu gostava de teatro, esta era uma arte perdida em uma escola que apoiava mais o basquete do que qualquer outra forma de entretenimento. O grupo não era tão pequeno, mas também não era tão grande. E foi nessa parte da minha vida que acompanhada pelo meu singular amigo Tiago, uma figura de baixa estatura, mas de enorme coração apareceu pra falar comigo, mesmo que tudo que tenha dito a princípio tenha sido, aham, ham, isso, claro, com certeza e outros tipos de confirmações verbais.
A primeiro contato, eu a achava estranha, até o dia em que ela se sentou em um banco azul comigo, jogando papo fora antes do ensaio, e começou a me relatar sobre um último quase relacionamento com um grande amigo meu da época. Daquela dia em diante, eu acho que criou-se uma amizade bem forte, que dura até hoje entre as risadas e as piadinhas que ela faz enquanto conversamos. Ela sem dúvida é uma figura das quais minha vida não conseguiu não perceber, e provavelmente a pessoa do grupo que eu quero guardar pra sempre na memória. Não por ser algo vital, mas por admirar tanto um alguém de noções sentimentais tão semelhantes.
Não importava quanto tempo fazia que não nos falávamos, era só sentar, se olhar e começar o papo mais uma vez. Nós não fomos os mais ligados emocionalmente, mas era só falar sobre algo e começar a rir, ou falar sério e pensar numa maneira de superar os problemas. Contar sobre dores de estômago ou de cabeça e atender com um "sim eu entendo", ou então "que barbaridade isso não?". Era simples, mesma cabeça, pensamentos parecidos, uma grande companheira pra conversar qualquer assunto, uma amiga que eu nunca citei como quase irmã, mas que hoje enxergo assim. Provavelmente uma das pessoas que me faz mais falta, mas eu sei que ela anda feliz e vai mudar o planeta. Abraço enorme Nessa.
Pardal, pardal, onde está você?