terça-feira, 15 de abril de 2008

Casal de velinhos

Quando estava no primeiro ano do ensino médio eu costumava descer uma ladeira. Lá moravam um casal de velinhos que por vez ou outra acenavam de volta para mim. No segundo ano do ensino médio, ganhei uma bicicleta, e não mais passava por ali a pé, agora era rapidamente, e só os enxergava às vezes. Ocasião que deixou de acontecer por muitas vezes.No terceiro ano, me mudei para outro bairro e deixei de cumprimentar por inteiro o casal daquela pequena casinha.

Meu aniversário estava próximo, e eu já não agüentava passar em várias casas pedindo por doces, enfeites e roupas. O tempo estava acabando e faltando por volta de dois dias para festa me ocorreu que precisaria ir até um bairro muito longínquo buscar minha fantasia a pé. Bem cedo levantei e comecei a caminhada, vi de longe meu antigo bairro e fiz uma viagem longa até a casa da costureira que faria minha roupa de panda.
Voltei de lá com a idéia de que caminharia por muito tempo até chegar em casa, mas com o fone nos ouvidos e sem prestar atenção no caminho comecei a voltar, estava com a cabeça cheia de problemas e à medida que o tempo passava eu ia me preocupando mais com a festa. Minha tia ligou para dizer que o salão estava reservado, e que estava tudo certo o que me alegrou bastante. Continuei caminhando e desci uma ladeira que já não percorria a muito tempo e lembrei da casa dos velinhos.

Ah sim, o casal de cabelos brancos que sentavam na área para acenar. Sim, eu parei na frente da casa deles, mas ali não havia mais um casal, não havia nada. Jazia uma triste entrada, cheia de tijolos quebrados e entulhados ao chão. Uma porta velha e corroída. Uma verdadeira casa abandonada pelos moradores e pelo tempo. Um lar abandonado pela vida. Um rapaz na frente da casa sem ação, tirava o fone dos ouvidos e pensava no que havia acontecido. Mal sabia ele da história que ele havia sido contada. História triste que pairava sobre uma casa despedaçada.

Não te preocupa, o salão deu certo!

Um comentário:

Marina disse...

Os textos convêm com a minha reflexão pessoal do dia: o tempo passa e nem notamos! Um dia, muitas vezes não muito belo, paramos e percebemos as mudanças a nossa volta. Os lugares , as pessoas, a história que deixamos para trás, ficaram num lugar intocável do passado e notamos as nossas transformações internas, o que nos tornamos. Hoje vi e não gostei do observei. Deixei muitos traços desagradáveis se sobressaírem sobre muitos que poderiam ser consideradas virtudes, e que se perderam dentro de mim.
Eu me emocionei com os textos, tu conseguiu com palavras mexer comigo. Ultimamente venho notando que estou à flor da pele, coisas que não me comoviam agora me comovem. A Marina de outrora - durona e fechada, mantinha uma aparência de intocável – foi trocada por uma mais emotiva e sensível.
Aiai, no meu egocentrismo me perdi e não sei mais o que pretendia, inicialmente, escrever.
Não sei fazer comentário e não me recordo a última vez que o fiz. E tenho vergonha de saber que outros possam ler as minhas divagações desconectas. Bem, talvez tenha viajado muito, mas este texto me trouxe para o caos que estão meus pensamentos e meus questionamentos diários sobre o rumo que estou tomando.
Mas bem, bons textos. Contudo acho que não consegui retirar a essência deles, estou muito voltada para mim.
Finalmente fiz um comentário! o/
E pelo tamanho, acho que só tu lerá. :)