quarta-feira, 8 de outubro de 2008

The real thing

Eu estava cansado dos velhos motivos empoeirados, tinha cansado de ficar ali sentado, todas aquelas lembranças me dizendo o que fazer. Me sentido só dentro de um quarto tão arrumado. Dentro de mim, queria abraçar ela mais uma vez, dizer que os outros não poderiam fazer nada, e que aquele momento era precioso. Perfume tão doce era aquele, como estranhos sobre a areia esvoaçada na praia. Ela não mostrava medo, olhos cheios de água, minhas vestes amassadas, um porta aberta e um vale silencioso a minha espera. Mas eu precisava ir, antes que dessem conta de que eu não estava naquele quarto escuro. Eu queria sentir aquele abraço mais uma vez.

Não me lembrava do dia, recordava do perfume, não da voz. Os olhos eram esboçados no interior de uma foto desbotada, e a força que eu fazia pra tentar retratar a expressão mais uma vez me fazia cansado. Então eu caminhei sem parar, tomei a decisão de sair do quarto, aprontar as vestes e sair ao campo. Não havia ninguém, um frio áspero, uma madrugada escura e uma planície oculta por sua vegetação rasteira. Nada em especial. Mas eu precisava chegar lá.
Minhas vontades tornaram-se vazias. E somente aquele amor me fazia respirar, mesmo quando as rodas da eternidade paravam de girar lentamente, meu coração abria-se para uma luz irrevogável que me dizia onde ir. Sem ela, eu me sentia só. Perdido, sem lugar ou quem recorrer, e quando a noite chegava e eu não podia viajar, o que me dava esperança era a lembrança de um perfume tão suave que me fizia corar.

Verdade é que ao passar dos dias o campo tornou-se deserto. Quando eu pensava não encontrar alguém, ela me encontrou. E agora eu não sentia mais saudade, novamente nos seus braços, naquela fragrância que me dava vida. Amor que amava, que não me deixava morrer, palavras vivas dadas a quem merecer, estava eu deitado sobre o campo, mãos dadas, corações moldados. E nada podia me fazer falta. Porque a eternidade, era apenas a eternidade, e os meus dias, apenas tempo. Quando as rodas parassem de girar eu morreria, feliz. Apenas com um sorriso no rosto, sorriso aberto, alegre, vivente, vivido.

Então a gente subiu o morrinho e fomos na clareira lá em cima da montanha!

Um comentário:

Leticia Dutra disse...

*.*

(ps: nem sei o que dizer.. Oo)
tá lindo!