domingo, 4 de janeiro de 2009

Perfect life - in love

Caminhava em ritmo tamborilado por aquela calçada, vestindo um terno de corte fino, azul marinho, camisa clara, gravata solta e último botão aberto. Vento forte, frio, que me fizesse trazer as melhores memórias dos meus dias, muitas nuvens, nada que parecesse chuva, mas que não trouxesse o sol. Clima perfeito. As pessoas por alí não dão a mínima bola pra vida, ou para minha presença, eu não me importo, porque nesse momento inevitável o momento bom da vida está preso pela minha vida. E eu estou fazendo o que mais gosto. Caminhando em uma estrada longa, cheia de prédios, ouvindo o alto som da música em um clima perfeito.

Em uma mão havia um buquê de flores, oh meu Deus, utópia again, diziam as pessoas após a esquina da floricultura. E oh que fofis diziam as velinhas na outra esquina, e te amo dizia a garota em vermelho sentada no parque. Muitos passos, um lago, um casal, assuntos mirabolantes sobre idéias inusitadas. Alguns sorrisos sobre uma vida sonhada, nos apaixonamos. Porque você estava alí naquele momento? Porque não esqueceu que nossos filhos não diriam o que fizemos para os netos? Provavelmente eles não conhecem o amor quando enxergam-o. Ah, sim. O casal, eles estão casados, moram em uma casa branca de janelas azuis. Tem dois filhos, costumam viajar nos finais de semana.
Porque perfeito, arrogante, autônomo é parte de uma liga invejosa e desacreditada de flores brancas sobre a mesa. O casal acreditava em histórias contadas, e em finais felizes, mas os vizinhos não. Eu acreditava em sorrisos, ela em risadas, nossos filhos em gargalhadas. Os vizinhos simplesmente fechavam as janelas, porque somos um quebra-cabeça montado. Formamos uma figura feliz, cheia de dentes brancos, brilhantes, empoleirados em fileiras iguais. Somos o retrato do que os netos não seriam. Mas é cedo demais pra me importar com isso.

Eu pego na mão do amor, o amor segura os dedos do carinho, e a paixão nos une em um só. Oh yeah man, in love again, mas sem o oh man. Felizes pra sempre, até que a morte nos una, ou até que a primeira discussão nos faça entender que precisamos conhecer igualdades de melhor forma, pelos próprios olhos. Sim, agora ela está sorrindo pra mim, franja ao vento, vestido branco, eu com minhas velhas vestes limpas, e os vizinhos xingam, nos amamos, os vizinhos gritam, gargalhamos, os vizinhos choram, nos abraçamos. Os vizinhos odeiam, nos amamos, eles desmoronam, suspiramos. E no fim do dia, eu chego com a pasta, ela com o abraço, e nos beijamos.

"O amor deveria ser o maior entre nós. As pessoas deveriam pensar melhor na vida, deveriam julgar a sí próprios. Se aproximar do que amam. Se aproximar do que odeiam, pra poder amar."

Um comentário:

kathy disse...

No meu estoque de lembranças que servem como consolo me agarro com todas as forças em Ecl 11:5..em um dia que as nuvens fecham o tempo impedindo o sol de raiar mais intensamente, recebo a resposta que pedi independente da dor que causasse ..recebo um ponto final em minhas reticências.Então vamos para as finalizações que nunca quis que chegassem mas masoquismo é demais.Que seus dias ao lado daquela que espera suas flores com sua franja ao vento do parque sejam tão longos e felizes e perfeitos e bonitos quanto suas declarações nesse blog .Um triste adeus..Uma felicidade..Um abraço.Um pedido..permita-me contentar-me ainda com suas linhas não deixe de escrever agora que suas atenções se destinarão para esta q é motivo de sua alegria num dia que tem''vento forte,frio,mtas nuvens que não parecem chuva mas não trazem o sol ''.hoje.




kathy


(por sinal..este acho q também não é necessário publicar. Sabe..reconhecimento de batalhas perdidas nunca são bem-vindos)